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Editorial
Podia ter sido com outros, podia ter acontecido a outros. A verdade é que há mesmo instantes assim, que mudam tudo, uma porta de elevador que se fecha antes do tempo, um toque de telefone tarde demais. Naquele dia preciso, os três amigos que, por andarem sempre tão próximos e serem tão íntimos, às vezes até se confundiam, combinaram encontrar-se no alto da colina. Queriam descansar e beber da paz da paisagem. Mas logo descobriram que a paisagem não era, estranhamente, estática, antes se movia, se alterava aqui e ali, exigindo um constante e cuidado olhar. Porque na paisagem que viam, viram o mundo todo, com suas ruas e árvores e casas e suas gentes e seus abraços e sorrisos e rugas e lágrimas. A paisagem, afinal, não era fotográfica, era a vida. E a vida pediu-lhes um sim. E nunca mais a paisagem foi igual. Que foi dentro desse sim? Adesão de coração, de pele, de desejo. Uma intuição de mudança, de surpresa, de novidade, de futuro. Ou talvez um sentido pressentido de crescimento, de descoberta de si, de pujança. Sim, mas mais também. Sintonia, identificação, comunhão de olhares, vontade de partilhar esforços, de construir. Naquele momento preciso, no outro lado do mundo, houve uma mulher à janela, uma brisa, um raio de sol a brilhar no vidro. Houve uma pergunta e houve uma resposta. Nas palavras feitas de silêncio, houve um sim. Tudo se compôs. E nunca mais o mundo foi igual. Que mais carrega dentro de si um Sim? Carla Rebelo
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