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Editorial
‘Jesus subiu depois a um monte, chamou os que Ele queria e foram ter com Ele’. Naquele dia de Janeiro, a falar de Missão, éramos de facto uns tantos, talvez não os ‘cinco mil sem contar mulheres e crianças’, como descreve Mateus no milagre da Multiplicação dos Pães, mas seguramente uma boa amostra da realidade da CVXP: em número, género, geografia. Jesus ‘estabeleceu doze para estarem com Ele e para os enviar a pregar, com o poder de expulsar demónios’. Talvez os demónios não sejam assim tão diferentes – mesmo que nos custe vê-los como diabinhos a sairem das almas nos quadros do Bosch e do Brueghuel – mas nós, umas vezes discípulos fiéis do Senhor Jesus, outras tantas, seus fracos mas comprometidos apóstolos, já não somos só doze. E Jesus soube prever isso, caso contrário não teria dito que ‘não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte’. Sim, somos muitos. E fazemos muitas e diferentes coisas - somos pais e mães de família, somos filhos e avós, trabalhamos em hospitais, escolas, laboratórios, escritórios; falamos de negócios e de leis e de política, porque somos gente civicamente comprometida, mas também falamos de futebol e cinema e culinária, porque temos amigos e gostamos de estar com eles. Deve ser por isso que Jesus nos chamou “o sal da terra”. Espalhamo-nos lentamente, misturamo-nos, fazemo-nos presentes mesmo no anonimato. Podemos fazer a diferença. Porque não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte.
Há dois mil anos, Jesus começou por estabelecer ‘estes doze: Simão, ao qual pôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais deu o nome de Boanerges, isto é, filhos do trovão; André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que o entregou’. Fazendo a lista hoje, parece que só faltas tu.
Carla Rebelo
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